Se você é residente ou fellow em oftalmologia, vale prestar atenção no que está acontecendo fora do centro cirúrgico, porque a política pública está redesenhando a demanda. Com o lançamento do programa “Agora Tem Especialistas”, o Governo Federal colocou a oftalmologia entre as seis áreas prioritárias para ampliar acesso e reduzir tempo de espera no SUS.
Para o médico em formação, isso não é apenas notícia de gestão: é um indicativo claro de que a cirurgia de catarata no SUS e outras demandas de alta prevalência podem ganhar ainda mais escala e, com escala, cresce a necessidade de mão treinada, fluxo eficiente e raciocínio clínico consistente.
O cenário: filas, catarata e a pressão por capacidade cirúrgica
A cirurgia de catarata é frequentemente citada como uma das principais demandas eletivas do SUS. Em 2025, reportagens com base em dados do sistema apontaram espera média de até 137 dias para o procedimento em algumas análises nacionais, com grande variação entre estados e regiões.
No mesmo período, o Ministério da Saúde comunicou que o “Agora Tem Especialistas” tem como objetivo reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias no SUS, mobilizando estratégias que envolvem reorganização da oferta e parcerias para ampliar capacidade instalada.
O recado para o residente é simples: quando o sistema tenta “destravar a fila”, ele precisa de um perfil de profissional que não apenas conheça a técnica, mas execute com consistência, segurança e capacidade de resolver casos prevalentes em volume, sempre com supervisão e responsabilidade.
O que o “Agora Tem Especialistas” sinaliza para sua formação (e para seu currículo)
Enquanto o governo busca reduzir gargalos assistenciais, o mercado (público e privado) tende a valorizar um tipo específico de oftalmologista: o cirurgião resolutivo, capaz de integrar técnica, tomada de decisão e rotina de alta demanda.
Na prática, isso costuma se traduzir em três exigências para quem está se formando:
Volume com intencionalidade: não é “ver muita cirurgia”, é treinar repetição qualificada com progressão real de responsabilidades.
Supervisão presente: autonomia se constrói com preceptoria próxima, feedback e discussão de caso, não no improviso.
Eficiência sem atalhos: operar bem em fluxo de alta demanda requer método, preparo e padronização (do pré ao pós-operatório), sem promessas fáceis.
IBAP: quando o ensino encontra a realidade do SUS (e o SUS acelera o ensino)
Na oftalmologia, o SUS é um dos principais motores de volume; e volume, quando bem supervisionado, vira formação. É por isso que programas que operam conectados à realidade assistencial tendem a preparar o residente para a prática concreta: casos prevalentes, diversidade clínica e pressão de fluxo.
No IBAP, a formação se apoia em pilares que conversam diretamente com esse cenário:
Exposição prática em patologias prevalentes (como catarata e pterígio), com participação do residente de forma supervisionada.
Rotina de ensino estruturada, em que a assistência é usada como plataforma para aprendizado (e não como “tocar serviço”).
Contato com tecnologia e protocolos, com foco no que realmente importa para a carreira: raciocínio clínico, técnica cirúrgica progressiva e tomada de decisão.
O efeito disso é menos “marketing” e mais realidade: quando o sistema precisa de resolutividade, a residência precisa formar com método.
A pergunta que separa 2026 de 2016
Com iniciativas como o “Agora Tem Especialistas”, a oftalmologia entra em um período em que capacidade assistencial e qualidade de formação tendem a ser discutidas com mais força. E isso pressiona o residente a escolher bem onde vai construir sua base.
A pergunta que fica é direta e útil: sua residência está te preparando para acumular presença em sala ou para evoluir de forma progressiva na prática cirúrgica, com supervisão e volume qualificado?
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