Em 2025 o Brasil alcançou uma marca inédita. São 494 escolas médicas e quase 51 mil novas vagas autorizadas todos os anos. O que antes era prestígio virou superlotação. Se você acreditava que o CRM recém-carimbado era um passaporte vitalício para sucesso e estabilidade, é hora de atualizar essa crença. A regra mudou.
Segundo um levantamento de Emerson Gasparetto publicado na Saúde Business, a expansão descontrolada da formação médica abriu uma fratura exposta que agora ameaça toda uma geração de profissionais.
O país não formou apenas mais médicos. Ele criou um cenário de inundação de mercado que derrubou a lógica da escassez. O que antes era um diferencial natural do diploma de medicina virou uma moeda inflacionada.
O abismo da residência
O dado mais cruel do estudo é simples. O Brasil forma cerca de 32 mil médicos por ano para disputar apenas 16 mil vagas de residência médica. A conta não fecha.
Isso cria um déficit anual de 16 mil médicos sem especialização. São profissionais que passaram seis anos na graduação para encontrar, do outro lado, um vazio de oportunidades. Sem residência, muitos são empurrados para a chamada uberização da medicina, onde imperam:
- plantões degradantes
- baixa previsibilidade de renda
- alta rotatividade
- ausência total de progressão de carreira
Hoje, 40% dos médicos generalistas sobrevivem nesse ciclo de plantões em prontos-socorros superlotados. O CRM virou um documento insuficiente para competir nesse mercado saturado.
O risco real das pós-graduações de papel
Diante do funil da residência, milhares de jovens recorrem às pós-graduações lato sensu. O problema é que o mercado aprendeu a diferenciar título de competência.
Existem cursos que entregam um certificado bonito, mas zero hora de voo. Na oftalmologia isso é fatal. Não existe cirurgião de catarata teórico. Não existe retinólogo formado em slides. O paciente não quer saber o design do seu diploma. Ele quer saber se você resolve o problema dele com segurança e precisão.
A saída está na alta performance
Esse cenário é apocalíptico apenas para quem insiste no modelo analógico. Para o médico que entende a lógica da Oftalmologia 4.0, essa crise é uma oportunidade de ouro.
Enquanto a massa disputa preço e plantão, existe um oceano azul para quem domina:
- tecnologia avançada
- anatomia cirúrgica aplicada
- sistemas 3D
- simuladores de alta fidelidade
- inteligência artificial
- ergonomia e longevidade profissional
O mercado está saturado de médicos medianos, mas continua carente de especialistas resolutivos.
No IBAP, não formamos alunos para cumprir tabela. Formamos cirurgiões preparados para liderar o futuro. A diferença entre ser apenas mais um e ser o profissional escolhido pelo paciente está no refinamento técnico, na capacidade de tomada de decisão e na entrega humana dentro da sala de procedimento.
O diploma virou commodity. A sua competência é o único ativo que importa.
Referências Bibliográficas
GASPARETTO, Emerson. Nova geração de médicos: os desafios do pós-diploma. Saúde Business, 2025.