Enamed e o novo filtro de qualidade: 30% dos cursos reprovados

A divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, marca um momento decisivo na medicina brasileira. O Ministério da Educação revelou que cerca de 30% dos cursos avaliados tiveram desempenho insatisfatório. Isso coloca 99 instituições sob supervisão direta e risco de sanções severas.

Para você, médico em formação, residente ou fellow, esses dados vão muito além de simples estatísticas administrativas. Eles sinalizam uma mudança drástica no mercado. É o fim da tolerância com a formação de baixa qualidade e o início de uma era onde a procedência do diploma e a excelência técnica serão auditadas com rigor inédito.

O abismo entre o ensino público e o privado

Os números do Enamed expõem uma disparidade técnica preocupante. Enquanto estudantes de instituições federais alcançaram uma proficiência média de 83,1%, os alunos de instituições privadas com fins lucrativos, que hoje dominam a oferta de vagas, amargaram uma média de apenas 57,2%.

Essa diferença de quase 26 pontos percentuais reflete diretamente na segurança do profissional recém-formado. O mercado de trabalho, antes garantido apenas pelo CRM, agora começa a exigir provas concretas de competência. A “bolha” das faculdades de medicina que não entregam estrutura mínima ou volume de prática está prestes a estourar.

Sanções e o impacto na carreira

As instituições reprovadas não enfrentarão apenas notas baixas em rankings. O MEC anunciou medidas cautelares que incluem a redução de vagas e a suspensão de novos contratos do FIES. Na prática, isso funciona como um “selo de alerta” no diploma de quem se forma nessas faculdades.

Para quem já está no mercado ou buscando especialização, a mensagem é clara. A formação básica pode ter sido deficitária para uma grande parcela dos novos médicos. Isso torna a escolha da Residência Médica ou do Fellowship ainda mais crítica. A pós-graduação deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser uma necessidade de “correção de rota” e aprofundamento técnico para quem veio de bases mais frágeis, ou de consolidação de excelência para quem veio das melhores escolas.

A resposta está no volume e na supervisão

Diante de um cenário onde a teoria é comoditizada e muitas vezes mal ensinada, o diferencial competitivo do oftalmologista moderno reside na prática. O Enamed avalia o conhecimento cognitivo, mas a “mão cirúrgica” e a capacidade de resolução de casos complexos só se adquirem em centros de treinamento de alto volume.

No IBAP, entendemos que a medicina não se aprende apenas em slides. A excelência técnica exige imersão, acesso a tecnologias de ponta e, principalmente, um volume cirúrgico que permita ao aluno transformar conhecimento em habilidade motora. Se a graduação falhou em entregar a base para 30% dos cursos, a especialização precisa ser o momento de garantir a proficiência que o mercado e o paciente exigem.

O filtro de qualidade do MEC começou. O filtro do mercado será ainda mais rigoroso. Certifique-se de estar do lado certo dessa linha de corte.

 

Fonte: Agência Brasil